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Arroz em Foco

11/02/2010
Conab divulga quinto levantamento da safra 2009/10

A Conab divulgou nesta semana os resultados do quinto levantamento da safra de grãos 2009/10. Abaixo, reproduzimos o conteúdo relativo ao arroz. Confira.

Situação geral

A lavoura de Arroz vem crescendo em produtividade embora a expansão da área encontre dificuldades pela falta de terras apropriadas à cultura, situadas próximas de mananciais suscetíveis a tomadas de água ou derivações para utilização na irrigação, uma vez que a maior parcela da produção vem do arroz irrigado. A semeadura da safra 2009/10, no Rio Grande do Sul, foi concluída fora do período recomendado, devido as condições climáticas desfavoráveis com chuvas em excesso, enchentes e enxurradas. O período ideal para o estabelecimento da cultura esgotou antes que os produtores conseguissem concluir a semeadura normal e o replantio das áreas perdidas por causa das adversidades climáticas. Nas regiões produtoras de arroz de sequeiro, a semeadura está transcorrendo dentro do período recomendado e as reduções de área se deram por opção dos produtores e não por problemas de clima. De uma maneira geral, o pacote tecnológico utilizado é considerado muito bom, ajudado pela queda dos preços dos insumos, principalmente dos fertilizantes. Nas áreas de arroz irrigado, o constante uso das terras (sem rotação de cultura), aumentou a infestação com arroz vermelho e as variedades CL (Clearfield) não estão conseguindo cumprir sua função devido à segregação e conseqüente resistência ao herbicida utilizado no combate desta
invasora.

Área cultivada

A área cultivada com arroz na safra 2009/10 está em torno de 2.775,1 mil hectares, 3,9% inferior à área cultivada na safra 2008/09 que foi de 2.909 mil hectares.

Incrementos/reduções

A redução de área ocorreu tanto no arroz de sequeiro como no arroz irrigado. No arroz de sequeiro a redução foi em decorrência da competição com a soja e da falta de abertura de novas áreas, quando a primeira cultura utilizada era o arroz. As maiores reduções estão ocorrendo em Mato Grosso do Sul (24,5%), Minas Gerais (6,4%) e Mato Grosso (12,8%). No arroz irrigado, as reduções decorreram da ocorrência de excesso de chuvas, alagamentos e enxurradas que ocorreram durante o período de implantação da cultura, principalmente no Planalto Central e fronteira oeste do Rio Grande do Sul. A redução de área no Estado foi de (2,4%) e a produtividade deve cair ao redor de (11,2%), levando a produção a uma redução de (13,3%). Parte da área atingida foi replantada e atingida novamente, causando mais prejuízos para o produtor e mais de 50.000 ha foram totalmente perdidas. A redução de área e de produtividade no Rio Grande do Sul pode ser ainda maior, o que será conhecido quando estiver concluído o levantamento e a avaliação das perdas causadas pelo último alagamento ocorrido na dia 19 de janeiro.

Sistema de cultivo

O cultivo do arroz irrigado, na sua grande maioria, é feito pelo sistema de Plantio Direto, Cultivo Mínimo e Plantio Pré-Germinado. O Plantio Convencional está sendo pouco usado e justifica-se apenas quando as condições climáticas não permitem o preparo antecipado do solo, como aconteceu no Rio Grande do Sul, que nesta safra, terá 30% de Plantio Convencional. Em Santa Catarina, predomina o sistema de cultivo em patamares, o que favorece o uso das sementes Pré-Germinadas. Já o arroz de sequeiro utiliza o Sistema de Plantio Direto para áreas cultivadas a mais tempo e o Plantio Convencional para áreas abertas recentemente. Nas Regiões Norte e Nordeste o predomínio é do plantio convencional tradicional.

Clima

As grandes precipitações ocorridas na Região Sul, da mesma forma que recuperou os mananciais que fornecem água para irrigação, prejudicou as lavouras pelos constantes alagamentos principalmente nas áreas mais baixas e situadas próximo às margens dos rios, causando prejuízos consideráveis. Os danos maiores aconteceram no Rio Grande do Sul – Planalto Central e Fronteira Oeste. Nas demais regiões o clima está sendo favorável para o desenvolvimento da cultura.

Produtividade

A produtividade média nacional esperada para esta safra deve ficar em torno de 6.350 Kg/ha, menor 11,19% que a alcançada na safra 2008/09, que foi de 7.150 kg/ha. A diminuição, em parte, é considerada normal porque o incremento da produtividade na safra passada foi conseqüência da produtividade recorde do Rio Grande do Sul, Estado maior produtor de arroz da federação e que nesta safra está enfrentando problemas de clima, semeando quase 30% da área fora do período recomendado pela pesquisa.

Produção

A produção nacional de arroz na safra 2009/10 está estimada em 11.507,9 mil toneladas, reduzindo 8,7% em relação a safra 2008/09, que foi de 12.602,5 mil toneladas.

Estágio da cultura

Na área cultivada com arroz irrigado encontramos desde a fase inicial de desenvolvimento vegetativo até áreas já colhidas, o que indica que teremos um período de colheita bastante extenso, prolongado pela ocorrência de adversidades climáticas. Na Região Sul, especificamente, o atraso na semeadura foi mais acentuado, alcançando 30% da área total do Estado. Na Região Centro Sul a semeadura está concluída. Nas regiões Norte e Nordeste a semeadura deverá se estender até o mês de abril.

Qualidade do produto a ser colhido

A qualidade do arroz produzido no Brasil geralmente é excelente, devido ao uso de variedades pesquisadas, não só visando produtividade, mas também o desempenho na cocção. No arroz irrigado, as variedades mais semeadas nesta safra são: Puitá Inta CL, Irga 424, Irga 422, Irga 417, Irga 409, Olismar e Querência. As variedades que produzem grãos do tipo patma longo fino, são os preferidos dos consumidores o que fez com que os produtores de arroz de sequeiro, adotassem variedades produtoras de arroz deste tipo.

Mercado

Os preços praticados no mercado tiveram acentuada elevação nas últimas semanas com majoração ao redor dos 23%, com tendência à estabilização. As
variações são regionais por influência da logística. No Rio Grande do Sul o preço varia entre R$ 30,00 e R$ 32,00 a saca de 50 kg e no Mato Grosso o preço praticado pela saca de 60 kg de arroz de sequeiro longo fino oscila entre R$ 31,00 e R$ 32,20.

Fonte: Conab, fev/2010

Leia o documento original:
http://www.conab.gov.br/conabweb/download/safra/4graos_07.01.10.pdf


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