Arroz em Foco
06/06/2005
Arroz selvagem: alimento exótico com forte herança
genética
O arroz selvagem tem conquistado adeptos em todo
o mundo. Carregado de sofisticação, atrai por sua
aparência, sabor e aroma diferenciados. Os grãos são
escuros (marrons e pretos) e seu comprimento é três
vezes maior que o do arroz comum. Exala um aroma parecido com ervas,
que remete ao seu ambiente natural – os lagos e rios dos Estados
Unidos e Canadá.
Foto: Divulgação/Projeto
Arroz Brasileiro

Grãos do arroz selvagem.
Suas qualidades nutricionais também chamam
a atenção. É pobre em gorduras e rico em proteínas,
lisina (um aminoácido) e fibras. É também uma
boa fonte de potássio, fósforo e vitaminas (tiamina,
riboflavina e niacina), de acordo com o HealthNotes.
O arroz selvagem é a semente de uma gramínea
aquática – e, portanto, não é arroz.
O registro de sua utilização é bastante antigo.
Era o alimento básico dos índios Chippewa e Sioux.
Devido ao apelo exótico e ao elevado valor
nutricional, em comparação com o arroz branco, o arroz
selvagem ganhou popularidade. Atualmente, a província de
Saskatchewan é a maior produtora do Canadá e o estado
de Minessota é o maior nos EUA.
O cultivo comercial do arroz selvagem deve seguir
padrões para manter as características rústicas
do grão. Os produtores de Minessota, por exemplo, precisam
de uma licença para plantar. Além disso, a colheita,
que ocorre em setembro, deve ser realizada com canoas, igual os
índios faziam. Enquanto os canadenses normalmente colhem
o grão em áreas naturalmente submersas, os estadunidenses
o plantam em campos irrigados. A planta tem estágios bem
distintos de desenvolvimento e requer muitos cuidados, especialmente
com as condições da água e clima.
Os procedimentos pós-colheita também
são bem particulares. O grão, que é colhido
verde, é disposto ao sol e sob a água em fileiras,
para perder a clorofila; depois de maturado, é seco, descascado
(o arroz preto é a semente) e levemente tostado. Pode então
ser transportado e armazenado.
Segundo a enciclopédia Wikipédia,
pertencente ao gênero Zizania, o arroz selvagem compreende
quatro espécies nativas, sendo três da América
do Norte e uma da Ásia. São elas: Zizania palustris,
planta perene nativa dos Grandes Lagos (fronteira dos EUA com o
Canadá); Z. aquatica, também perene e nativa
da Costa Atlântica dos EUA; Z. texana, planta anual
nativa da região central do Texas; e Z. latifólia,
também perene e nativa da China.
Foto: Ann Murray/Universidade
da Flórida

Detalhe da planta da espécie de arroz Zizania
aquatica.
Foto: Ann Murray/Universidade
da Flórida

Planta da espécie de arroz Zizania aquatica.
O arroz selvagem está sob proteção
estatal na China, uma vez que a ação humana e as mudanças
climáticas colocaram a espécie sob risco de extinção.
Ele é considerado estratégico para a segurança
alimentar num país de 1,3 bilhão de habitantes, por
carregar forte herança genética (é um ancestral
do arroz cultivado hoje).
O arroz selvagem fornece importantes materiais
para estudos bióticos e reprodutivos, por conter genes que
caracterizam elevada produtividade, alta qualidade, resistência
ao frio e à seca, além da capacidade de resistir a
pestes e insetos.
No fim de maio, a China estabeleceu a maior zona
de proteção para o arroz selvagem no mundo, com cerca
de 42 hectares (já existem outras no país). Está
localizada ao sul da província costeira de Guangxi Zhuang
e representa um banco de 11 milhões de amostras de recursos
genéticos, conforme divulgado pela mídia local.
Usando genes do arroz selvagem, o cientista Yuan
Longping tornou-se o “pai do arroz híbrido”,
ao desenvolver a primeira linhagem macho-estéril em 1970
e o sistema de três linhas em 1973. O arroz híbrido
é largamente plantado na China e colabora para que o país
ocupe o posto de maior produtor mundial do cereal.
No Brasil, os consumidores podem encontrar o arroz
selvagem nos supermercados, sob as marcas Tio João e Blue
Ville, dentre outros. O preço é bem mais elevado que
o do arroz agulhinha (em média 3.500% mais caro). Uma dica
para não pesar no bolso, aproveitar as qualidades nutricionais
e dar requinte à refeição é misturar
o arroz selvagem com o arroz branco, já cozidos, num único
prato.
Mariana Perozzi
mbperozz@naturalss.com.br
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