Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
24/03/2008
Preços abaixo dos R$ 22,00 no Rio Grande do Sul
Escalada da safra, que ultrapassa 27% da lavoura
já colhidos, mais a tendência natural do mercado jogam
os preços ao produtor abaixo do mínimo estipulado
pelo governo federal. Mas, o índice Cepea já mostrou
recuperação
Mesmo com as boas notícias da semana que
passou, com aprovação do Orçamento da União,
previsão do início dos mecanismos de comercialização
federal já para a primeira semana de abril e garantia de
espaço para armazenar 1,2 milhões de toneladas de
estoques públicos no Rio Grande do Sul neste primeiro semestre,
os preços do arroz seguiram sua trajetória de baixa
na última semana, estabelecendo um patamar médio de
R$ 21,50 ao produtor, e R$ 22,00 a R$ 22,50 para o produto posto
na indústria. Com estes preços abaixo do mínimo
estabelecido pelo governo federal, a redução da oferta
nas principais regiões gaúchas foi a temática
da semana.
A boa notícia foi uma ligeira recuperação
do indicador Cepea/Esalq e BM&F, que alcançou R$ 22,50
para a saca de arroz de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros,
entregue na indústria na última sexta-feira, contra
R$ 22,27 da semana anterior. Ainda assim, a queda no mês de
março alcança 3,71%, depois de ter chegado a 4,71%
na semana anterior. O anúncio da liberação
dos recursos para comercialização e a garantia de
disponibilidade de armazéns, interferiu nesta variação.
Os produtores estão aguardando os mecanismos
de comercialização para efetivarem seus contratos,
principalmente a partir da previsão dos analistas de uma
alta significativa dos preços para o segundo semestre do
ano/safra.
Outra ressalva é para o arroz da safra velha,
das variedades Irga 417 e BR Irga 409, na região do Litoral
Norte gaúcho, que começou a última semana com
empresas do centro do País propondo R$ 23,00 de preço
e encerrou a semana entre R$ 25,00 e R$ 26,00. Diante deste cenário
os preços nas principais praças de comercialização
giram entre R$ 21,50 e R$ 22,00, casos de Dom Pedrito, Cachoeira
do Sul, Alegrete, Restinga Seca, São Sepé, Guaíba
e Tapes. Posto na indústria o arroz fica entre R$ 22,50 e
R$ 23,00 em Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Pelotas e Camaquã.
ESTADOS
Em Santa Catarina, os preços se mantiveram
balizados pelo mínimo estabelecido pelo governo, em R$ 22,00
no Sul catarinense, mas com ligeira queda nas demais regiões,
como Rio do Sul, com R$ 21,50. No Mato Grosso o fenômeno de
queda na produção interferiu e, apesar de médias
estimadas em R$ 26,00 a R$ 27,00 para a saca de 60 quilos, longo
fino, com mais de 50% de inteiros, em Sinop e Sorriso, os corretores
não encontram negócios abaixo de R$ 28,00 (FOB). E
ainda há dificuldades para conseguir caminhões para
o frete, que subiu em conseqüência da disputa com a colheita
da soja. Em Cuiabá e Várzea Grande, o produto segue
chegando na base de R$ 30,00 a R$ 32,00 (posto na indústria).
INDÚSTRIA
As indústrias do Sul do país se mantêm
pouco compradoras, preocupadas em depositar sua safra e de seus
parceiros, bem como trabalham com compra programada e apenas diante
de oferta em valor abaixo do praticado no mercado. Sofre, por outro
lado, a pressão do varejo, que apóia-se nas notícias
de supersafra para pressionar por preços mais convidativos.
Na última semana, a média dos preços
do fardo do arroz beneficiado manteve-se na faixa de R$ 36,00. O
fardo de 30 quilos do arroz tipo 1 chega a São Paulo entre
R$ 29,00 e R$ 47,00 dependendo da marca e das características
do produto (FOB).
A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é
cotada a R$ 46,50 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre,
chegando entre R$ 58,00 e R$ 62,00 em São Paulo. A mesma
corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão)
em R$ 22,00, o canjicão a R$ 38,00 e a quirera a R$ 28,70
a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 330,00.
Fonte: Planeta Arroz
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