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Análise de Mercado

Elaborada semanalmente por Cleiton Santos - Planeta Arroz

29/02/2008
Mercado mantém viés de baixa, mas setor aposta em recuperação

O viés de baixa nos preços do arroz no Rio Grande do Sul, com o andamento da safra, foi mantido esta semana. Em fevereiro, o indicador Cepea/Esalq e BM&F aponta uma queda de 8,77% até esta quinta-feira (27/2), com preço médio da saca de arroz de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros, na indústria, chegando aos R$ 23,37, ante os R$ 24,45 de uma semana atrás. A média começou fevereiro em R$ 25,63.

A queda nos preços foi tema de debate na programação da 18ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, nesta quinta-feira. A equipe de Redação da Planeta Arroz está presente no evento e acompanhou os debates. Enquanto os produtores estão questionando a razão pela qual a indústria baixou os preços acima de R$ 2,00, em média, durante o mês de fevereiro, sem que no varejo tenha havido queda na mesma proporção, a indústria alega que as circunstâncias de mercado é que levam a este resultado, principalmente em razão do início de uma safra que se prevê muito produtiva e os preços atraentes para a importação.

RECURSOS

Entre as novidades importantes surgidas na quinta-feira na 18ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, está o anúncio de cerca de 1 bilhão de reais em recursos para sustentação de preços e mecanismos de comercialização no Sul do Brasil. A grande novidade é a presença de bancos privados no Balcão de Negócios promovido pela Federarroz e Irga. Só o Banco Sicredi deverá disponibilizar até R$ 40 milhões para contratos de EGFs e outros mecanismos de apoio à comercialização para seus clientes. Acredita-se que outras instituições privadas poderão entrar com até R$ 150 milhões em linhas de financiamento da comercialização do arroz aos seus clientes, apenas no Rio Grande do Sul.

A tendência dos preços do arroz no mercado internacional continuarem em alta pelas próximas cinco safras é destacada pelo gerente do Instituto Ícone, André Nassar, o que poderá fortalecer o mercado para exportação do Brasil. Espera-se que a Conab anuncie PEP para exportação à medida que o orçamento da União seja aprovado. A Conab também informou que estão adiantadas as negociações para a exportação de arroz, governo a governo, para a Venezuela. Outras 200 mil toneladas de arroz serão doadas pelo Brasil para países em dificuldades por ocasião da ocorrência de catástrofes ou miséria.

Apesar deste cenário otimista, principalmente para o segundo semestre, os negócios efetivamente concretizados no Rio Grande do Sul com arroz da safra passada giram em torno de 22,50 a R$ 23,50. Em alguns casos, são praticados valores até abaixo deste patamar. Espera-se que com a liberação dos contratos de EGFs de até R$ 300 mil por produtor, com prazo de seis meses, a pressão seja menor nas próximas semanas. Acredita-se que os arrozeiros irão escalonar os contratos, para não ter um vencimento que pressione o mercado no segundo semestre.

MERCADO LIVRE

No mercado livre, as corretoras e indústrias indicam valores menores ao produtor, com média de R$ 23,00. O arroz da nova safra é cotado abaixo destes patamares. O avanço da colheita no Rio Grande do Sul, que já chega a aproximadamente 7%, deve intensificar-se na próxima semana. Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Alegrete, São Gabriel, Restinga Seca, Guaíba, São Lourenço e Tapes mantêm preços médios entre R$ 23,00 e R$ 23,50 ao produtor, com as indústrias fora de mercado. Posto na indústria (frete incluso) o arroz é avaliado em R$ 23,50 a R$ 24,00 em Uruguaiana, Pelotas, Camaquã, Itaqui e São Borja.

SANTA CATARINA

O mercado de Santa Catarina, onde a safra já superou os 60% de área colhida, manteve negócios na faixa de R$ 21,00 a R$ 23,00, com o preço mais usual de R$ 22,00 no Sul Catarinense e R$ 22,50 nas demais regiões.

MATO GROSSO

No Mato Grosso, o avanço da safra também é razão de nova queda nos preços, com a saca de 60 quilos do arroz longo fino, com média entre R$ 26,50 e R$ 27,00 em Sinop e Sorriso;.

INDÚSTRIA

As indústrias do Sul do país se mantém fora de mercado, apenas negociando arroz verde e depósitos. A expectativa é de que os preços caiam ainda mais ao produtor. O varejo apresentou menor demanda que as últimas duas semanas, forçando uma baixa nos preços do arroz beneficiado. Nota-se evidente preocupação da indústria com o anúncio da entrada da multinacional Bunge no mercado de arroz. Com sua estrutura logística, a empresa poderá interferir decisivamente nos preços e ocupar uma fatia significativa, com uma atuação mais agressiva.

A pressão do varejo deu resultado, e os preços do beneficiado apresentaram ligeira queda, além do aumento das negociações a preços promocionais.

Na última semana, a média dos preços do fardo do arroz beneficiado manteve-se na faixa de R$ 36,50. O fardo de 30 quilos do arroz tipo 1 chega a São Paulo entre R$ 29,50 e R$ 47,00 dependendo da marca e das características do produto (FOB).

A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é cotada a R$ 49,00 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre, chegando entre R$ 63,00 e R$ 68,00 em São Paulo. A mesma corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão) em R$ 24,00, o canjicão a R$ 35,00 e a quirera a R$ 28,50 a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 320,00.

Novos anúncios de medidas que serão impactantes para o mercado de arroz gaúcho em 2008, são aguardadas para este final de semana, durante a 18ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, em Cachoeirinha (RS).

 

Fonte: Planeta Arroz

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