Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
15/02/2008
Mercado esfria com a aceleração da colheita
O mercado de arroz do Rio Grande do Sul vive uma
“ressaca” de Carnaval, data que marcou a confirmação
de uma já esperada tendência de baixa nos preços.
Segundo analistas do setor, esta tendência deve ser mantida
à medida que a colheita avance, devido à demanda por
armazéns, a oferta de produto dos produtores mais individados
e uma estratégica retirada do mercado das principais indústrias.
Em janeiro, por exemplo, o Brasil importou 101 mil toneladas do
Mercosul (60% do Uruguai e 40% da Argentina) e, segundo agentes
de Mercado, fevereiro manteve a alta demanda de arroz castelhano.
A baixa de preços confirma-se no índice
Cepea/Esalq e BM&F, que indicou preço médio de
R$ 25,09 para a saca de 50 quilos do arroz 58x10, posto na indústria
(frete incluso), nesta quinta-feira. No mês, a queda acumula
2,06%. No início da semana, a média era de R$ 25,52.
No mercado livre, as corretoras e indústrias
indicam comportamento abaixo destes valores nos preços pagos
aos produtores, entre R$ 24,00 e R$ 25,00. O avanço da colheita
no Rio Grande do Sul, que já beira os 15% da área,
deverá intensificar-se nos próximos dias. Para muitas
indústrias, o prenúncio é de aumento da oferta
daqueles produtores que precisam negociar produto ou para custear
as muitas despesas de colheita, ou para abrir espaço nos
silos. A leve baixa também pode ser fator de oferta.
- Quando o preço começa a cair, historicamente
os produtores se atiram a ofertar produto para evitar perder dinheiro.
E assim, todos acabam perdendo pela superoferta – diz um analista
gaúcho ouvido pela Planeta Arroz.
Segundo o analista, o diferencial deste ano é
que pode haver pouco arroz nas mãos dos produtores. Ele cita
o leilão da Conab, com 61% do produto negociado, na semana
passada, como fator que também abasteceu algumas indústrias
e promoveu uma esfriada no mercado.
- O volume pode ter sido pequeno, mas há
um efeito psicológico. É natural.
A Conab confirmou novo leilão para a próxima
semana, e busca arroz beneficiado para atender centros consumidores
do Nordeste, Norte e Sudeste. Com este cenário, na maioria
das praças, o preço referencial ao produtor gira entre
R$ 24,00 e R$ 25,00, com perda de R$ 0,50 em média sobre
a semana passada. Em Capivari do Sul, o arroz de 63% de inteiros,
das variedades nobres, é comercializado por até R$
31,00 a saca.
Cachoeira do Sul, Dom Pedrito, Alegrete, Santa
Maria, Guaíba e Tapes mantêm preços médios
entre R$ 24,00 e R$ 24,50 ao produtor, com leve aumento da oferta.
Uruguaiana, Pelotas, Camaquã, Itaqui e São Borja,
negociam na faixa de até R$ 25,50 o arroz colocado na indústria
(frete incluso).
SANTA CATARINA
O mercado de Santa Catarina confirmou a tendência
de queda, com negócios entre R$ 23,00 e R$ 24,00, dependendo
da região. A oferta é mantida pela aceleração
da safra.
MATO GROSSO
No Mato Grosso a saca de 60 quilos do arroz longo
fino sofreu ligeira queda, com média de R$ 29,50 em Sinop
e Sorriso, cinqüenta centavos de real abaixo da semana passada.
O início da colheita de arroz também é a razão
desta ligeira queda.
INDÚSTRIA
As indústrias do Sul do país mantiveram
a cautela e esperam queda ainda maior nos preços. Ao mesmo
tempo, são pressionadas pelo varejo para reduzirem ainda
mais a pedida do beneficiado. O varejo manteve-se amplamente comprador
de arroz importado, mas forçando baixa internamente. Na última
semana, a média dos preços do fardo do arroz beneficiado
manteve-se na faixa de R$ 37,00 a R$ 37,50. O fardo de 30 quilos
do arroz tipo 1 chega a São Paulo entre R$ 30,00 e R$ 48,00
dependendo da marca e das características do produto (FOB).
A saca de 60 quilos do arroz beneficiado é
cotada a R$ 51,00 segundo dados da Corretora Mercado, de Porto Alegre,
chegando entre R$ 67,00 e R$ 72,00 em São Paulo. A mesma
corretora cota a saca de arroz em casca de 50 quilos (padrão)
em R$ 25,30, o canjicão a R$ 34,00 e a quirera a R$ 28,00
a saca. A tonelada do farelo de arroz fica em R$ 320,00.
Fonte: Planeta Arroz
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