Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
07/10/2007
Mercado trava no Sul à espera de preços
O mercado de arroz encerrou mais uma semana com
comercialização travada no Rio Grande do Sul e em
Santa Catarina. Manteve ainda o panorama de baixa comercialização,
por falta de produto, no Mato Grosso. Os produtores reduziram a
oferta de arroz a partir do vencimento dos compromissos de custeio,
ao mesmo tempo em que os primeiros agricultores começaram
a receber o financiamento da safra 2007/08. Em muitos casos, os
recursos são restritos à área plantada na safra
passada, quando o Rio Grande do Sul reduziu em mais de 10% a área
em razão da estiagem e a falta de água nas barragens
para garantir a irrigação.
Esta nova razão de restrição
ao crédito levou dirigentes arrozeiros à Superintendência
do Banco do Brasil na última sexta-feira para resolver o
impasse. A posição do Banco do Brasil foi pedir o
envio de casos que se enquadrem nesta situação para
reavaliação e busca de uma posição da
direção-geral em Brasília. Enquanto isso, a
posição dos dirigentes das entidades dos produtores
é de que a safra gaúcha, que tem grande expectativa,
pode estar sendo prejudicada por dois fatores. A restrição
ao crédito e demora na liberação de recursos
de custeio, principalmente em razão do alongamento do parcelamento
das dívidas das safras passada, associada à alta dos
insumos e aumento de demanda por conta do salto de área de
algumas culturas (como cana-de-açúcar e soja) no Brasil
Central, estão levando os líderes a acreditar que
a expectativa inicial de área e produtividade da lavoura
gaúcha poderá não se concretizar.
Na última sexta-feira, a governadora gaúcha,
Yeda Crusius, abriu oficialmente o plantio de arroz no Brasil para
a safra 2007/08, na Estação de Pesquisas do Irga,
em Cachoeirinha (RS). Não apresentou grandes notícias
para o setor, exceto a promessa de R$ 450 mil para um laboratório
de biotecnologia em 2008. Muitos arrozeiros aproveitaram o momento
para lembrar que o Governo do Estado deve mais de 10 milhões
ao Irga, por conta da retenção dos recursos da taxa
CDO, paga pelos arrozeiros, no Caixa Único do Estado.
Na última quinta-feira, a Conab divulgou
a estimativa da safra 2007/08 de arroz. O primeiro levantamento
indica produção de 11,703 a 12,010 milhões
de toneladas, acréscimo de 3,4% a 6,1% sobre as 11,316 milhões
de toneladas de 2006/07. A área a ser plantada na temporada
é estimada entre 3,006 e 3,060 milhões de hectares,
diante dos 2,967 milhões/ha semeados na safra 2006/20, aumento
de 1,3% a 3,1%.
A produtividade das lavouras foi estimada em 3,909
mil quilos por hectare, superior em 2,5% aos 3,814 mil kg/ha colhidos
na última safra. O Rio Grande do Sul, principal produtor,
deve ter uma safra de 6,697 a 6,950 milhões/t, um avanço
de 4,3% a 8,3%. A área prevista é de 1,011 a 1,049
milhão de hectares, 6% a 10% acima dos 954 mil hectares de
2006/07. O rendimento deve ficar em 6.620 kg/ha, 1,6% inferior aos
6.726kg da anterior.
O Mato Grosso, pela projeção, fará
uma safra de 730,6 a 753,4 mil toneladas, contra 734,3 mil toneladas
de 2006/07. O rendimento não deve passar de 2.715 kg/ha,
maior que produtividade de 2.620 quilos em 2005/06. Já a
área indicada é de 269,1 a 277,5 mil hectares, com
queda de 4% a 1% sobre os 280,3 mil hectares da safra anterior.
PREÇOS
A semana manteve o indicativo de preços
na faixa de R$ 23,00 para negócios em Cachoeira do Sul, Alegrete,
Santa Maria, Dom Pedrito e Guaíba, Rosário do Sul,
São Gabriel, Bagé e Restinga Seca. Todavia, a indústria
segue fora de mercado e sinaliza com R$ 22,50 para a saca de 50
quilos de arroz com 58x10. Os preços seguem estáveis
no Litoral Norte, com R$ 25,00 a R$ 26,00 de referência para
o arroz das variedades nobres com até 64% de grãos
inteiros, e R$ 23,00 a R$ 23,50 para o 422.
Itaqui, Alegrete e São Borja, na Fronteira-Oeste,
indicam R$ 23,50 a R$ 25,00 para a saca das variedades nobres, dependendo
das características. Arroz para parboilizar recebe indicação
de preços entre R$ 21,00 e R$ 22,00, dependendo da região
e das condições de compra e venda. Mas, há
pequeno volume de negociações concretizadas.
O indicador Cepea chegou a cair cinco centavos
por saca esta semana, mas reagiu e fechou a sexta-feira com a mesma
cotação da sexta anterior (28/9), em R$ 23,49. Preço
médio válido para o arroz entregue na indústria
no Rio Grande do Sul e com padrão de 58 de inteiros.
Em Santa Catarina o mercado segue com preços
estáveis, entre R$ 22,00 e R$ 23,00, dependendo da região.
No Mato Grosso, algumas grandes indústrias têm garantia
de abastecimento até janeiro, enquanto as de menor porte
seguem buscando matéria prima.
Preocupa o setor a possibilidade de Portaria 269 ser reavaliada
e “desclassificar” o arroz de terras altas produzido
na região para Tipo 2 ou abaixo. Mantidos preços entre
R$ 28,00 e R$ 30,00 nas regiões de Sinop e Sorriso para arroz
com mais de 50% de grãos inteiros.
INDÚSTRIA
A indústria gaúcha e a catarinense
seguem fora de mercado, com informações de negociação
bem abaixo das cotações para arroz depositado em algumas
indústrias da região da Campanha e da Fronteira gaúcha.
Os produtores reduziram bastante a oferta, a indústria se
mantém fora do mercado e o varejo segue pressionando por
preços menores, principalmente depois das notícias
que apontam o arroz como um dos vilões do aumento da cesta
básica em quase todas as capitais brasileiras em setembro.
As negociações de arroz quebrado
seguem bem abaixo do desempenho de 2006, principalmente pela elevação
das cotações do real frente ao dólar e crescimento
da competitividade de produto asiático e do Mercosul. Assim
sendo, a Corretora Mercado indica preços estáveis
em R$ 32,00 para o canjicão, R$ 22,50 para a quirera e R$
290,00 para a tonelada de farelo. A saca de 60 quilos, branco Tipo
1, tem média de R$ 47,00, chegando a São Paulo por
R$ 58,00 a R$ 60,00.
O fardo do arroz Tipo 1, manteve média de
R$ 33,50 a R$ 34,00 e negociações abaixo e acima deste
valor dependendo da marca, do mercado e da relação
entre a indústria e o varejo.
Fonte: Cleiton Santos/Planeta Arroz
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