Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
14/09/2007
Leve acomodação no Sul. Preços
firmes no resto do país
A trajetória de alta dos preços
do arroz no Rio Grande do Sul perdeu força em setembro e
a partir da última semana houve uma ligeira acomodação,
indicando leve retração nas cotações
das principais praças gaúchas. Com as parcelas de
custeio das últimas safras não tendo sido prorrogadas,
como o esperado, a situação ficou mais complicada
e houve uma oferta maior por parte dos produtores gaúchos.
A maior parte das indústrias saiu de mercado e ficou apenas
comprando o que já tinha em casa.
A confirmação de uma importação
recorde de 124 mil toneladas de arroz pelo Brasil em agosto, contra
a exportação de cinco mil toneladas, também
é um referencial de efeito psicológico negativo para
o mercado.
Nessa quinta-feira, 13/09, o indicador Cepea/Esalq
fechou a R$ 24,17/saca de 50 kg, baixa de 1,86% em relação
a quinta anterior. Beneficiadoras gaúchas mostraram pouco
interesse de compra do casca e deram preferência ao arroz
em depósito. Produtores, por sua vez, mantiveram as entregas
em ritmo lento. (Cepea).
Ainda segundo dados do Cepea, de janeiro a agosto
deste ano, o preço médio do arroz em casca de 58 de
inteiros subiu 11,7%, e, em agosto, 9,4%. Isso permite constatar
a dificuldade de repasse das altas do casca ao beneficiado por parte
das indústrias.
As fontes (agentes de mercado, corretoras, produtores
e indústrias) consultadas semanalmente pela redação
da Planeta Arroz, confirmam ligeira queda, mas com cotações
nominais sustentadas. Ou seja, as tabelas formalmente não
mudaram de valores, mas na negociação direta entre
produtor e indústria, os valores variam de acordo com a qualidade
do produto, volume e, até, da relação do agricultor
com o engenho.
Com mais oferta, a indústria pode escolher
de quem comprar e está preferindo negociar estoques que já
estão em seus silos. Sendo assim, o arroz em casca com 58%
de grãos inteiros está sendo negociado no Rio Grande
do Sul por preços entre R$ 22,00 e R$ 24,00. Exceto nos casos
do Litoral Norte, onde o padrão é arroz com mais de
62% de grãos inteiros e variedades nobres, que alcança
cotação entre R$ 27,00 e R$ 30,00. Na Fronteira, as
variedades nobres alcançam cotação até
próximo de R$ 25,00, mas nesta semana foram poucos negócios
e uma pressão baixista.
Pelotas, Camaquã e Itaqui (posto na indústria),
trabalham com preços referenciais de R$ 24,00 a R$ 25,00.
ESTADOS
No Mato Grosso, a cadeia produtiva esteve reunida
nestas quinta e sexta-feiras para discutir seu futuro e buscar soluções
para a falta de produto e o pouco entusiasmo dos produtores em voltar
a plantar arroz. Com preços chegando a casa dos R$ 30,00
em Sinop e Sorriso, para variedade Primavera acima de 50% de grãos
inteiros (sacas de 60 quilos), isso começa a mudar. Todavia,
iniciativas no sentido de qualificar o produto estão sendo
tomadas. A pressão sobre a pesquisa é grande, pela
produção de variedades mais produtivas e de melhor
qualidade agronômica, industrial e gastronômica. Segundo
dados da Famato, mas pode alcançar até R$ 33,50 posto
em Cuiabá e Várzea Grande.
Em Santa Catarina, a redução na oferta
de arroz firmou os preços em R$ 22,00 em todas as regiões
produtoras. Indicação de R$ 36,00, em média,
para o fardo de 30 quilos do branco, tipo 1, mantém preços
da semana final de agosto. O estado está começando
o plantio das variedades Epagri, de ciclo mais longo, no sistema
de cultivo pré-germinado, que predomina em solo catarinense.
BENEFICIADO
A indústria gaúcha manteve-se fora
do mercado esta semana, num movimento tradicionalmente adotado frente
ao aumento da oferta pelos produtores. Ciente de que haveria uma
pressão de venda para o arrozeiro quitar as parcelas de custeio,
que não haveria nova prorrogação e que o produtor
precisa de dinheiro para o plantio da safra, a indústria
já esperava esta acomodação nas cotações.
O varejo trancou bastante as compras, mas as cotações
nominais seguem em média a R$ 34,25 para o fardo de 30 quilos,
do tipo 1, de arroz gaúcho posto em São Paulo.
Marcas de primeira linha mantiveram indicativo
de até R$ 45,00 o fardo e produtos de menor repercussão
no mercado indicam R$ 29,00.
A saca de 60 quilos de arroz beneficiado manteve indicação
média de R$ 48,00 no Rio Grande do Sul nas últimas
quatro semanas. Chega em São Paulo entre R$ 60,00 e R$ 64,00.
O varejo esfriou a demanda completamente.
DERIVADOS
Os derivados seguem com preços firmes no
mercado gaúcho. A Corretora Mercado indica preços
de R$ 30,00 para o canjicão e quirera estabilizada em R$
22,00. A tonelada do farelo de arroz manteve R$ 270,00.
Fonte: Cleiton Santos/Planeta Arroz
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