Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
24/08/2007
Alta mais sustentada no Sul
A valorização nominal do arroz perdeu
um pouco de força esta semana, ainda assim, o produto em
casca, no Rio Grande do Sul, já vale 10% a mais do que no
final do mês de julho, segundo dados do Indicador Cepea. Nesta
quinta-feira, o índice apontou o valor médio de R$
24,26 pago aos produtores pela saca de 50 quilos entregue na indústria
(frete incluso) no Rio Grande do Sul.
O que se nota no mercado é que em algumas
regiões os preços perderam um pouco da velocidade
de alta por conta da maior oferta. Isso não quer dizer que
há grande oferta, mas que a estratégia da Federarroz
de solicitar aos produtores que ofertem de 10% a 15% dos estoques
por mês, para manter o equilíbrio do mercado, começa
a se tornar mais perceptível. Sem dúvida, a finalização
dos estoques em diversas regiões do país afeta o mercado
nacional, com destaque diferenciado apenas para Santa Catarina,
onde o equilíbrio dos estoques ainda não permitir
sentir o reflexo da alta nos grandes estados produtores (Mato Grosso
e Rio Grande do Sul).
A demanda por arroz das variedades nobres e com
alto percentual de inteiros (63% acima), segue em alta, com negócios
realizados já por até R$ 29,00 no Litoral Norte. Na
Fronteira gaúcha, a indústria já oferece até
R$ 26,00 para variedades nobres com alto percentual de inteiros,
mas os produtores insistem em pedir de R$ 1,00 a R$ 2,00 a mais
esperando a valorização.
O presidente da Federarroz, Renato Rocha, afirma
que o produtor, neste momento, precisa fazer as contas e buscar
fazer média, liberando gradualmente seus estoques, como forma
de evitar que a qualquer sinal de baixa, haja uma superoferta de
produto que poderá achatar os preços.
O analista de mercado de arroz da Safras &
Mercado, Tiago Sarmento Barata, também alerta para este risco.
Segundo ele, um efeito de baixa neste momento, associado à
superoferta de produto, seria muito negativo para o mercado. A Conab
divulgou nota informando que não fará leilões
de arroz enquanto perceber que há oferta de produto no mercado.
Mas, alertou que a retração da oferta poderá
agilizar estes processos de venda.
Em média, a saca de arroz de 50 quilos,
com 58% de grãos inteiros, é comercializada no Rio
Grande do Sul entre R$ 22,00 e R$ 23,50, mas ocom tendência
de alta. A tese é de que se o mercado estiver abastecido,
a Conab poderá retardar a oferta. Em média, o preço
ao produtor gaúcho ficou entre R$ 22,50 e R$ 23,50 na maioria
das praças, como Cachoeira do Sul, Rosário do Sul,
Alegrete, Tapes, Guaíba, Rio Pardo, Restinga Seca, São
Gabriel e Dom Pedrito. Itaqui e São Borja operam com preços
(FOB/produtor) de R$ 23,00 a R$ 23,75, com valorização
diferenciada para variedades nobres (Irga 417 e BR Irga 409), que
em casos especiais podem chegar até a R$ 25,00.
Para o assessor de mercado do Instituto Rio Grandense
do Arroz (Irga), Camilo Oliveira, a cotação do produto
está apresentando a tendência do início da colheita.
Segundo ele, os leilões de opção indicavam
a saca de arroz a R$ 24,50 para agosto e o valor está sendo
confirmado.
ESTADOS
No Mato Grosso, o leilão desta quinta-feira
atingiu ágio de até 54% em alguns lotes, com média
de 15% segundo dados da Safras & Mercado. Comercializou 56%
da oferta. O ágio, a baixa qualidade de parte dos estoques
e a localização dos armazéns atrapalhou melhor
resultado. Ainda assim, acendeu a luz de alerta. Alguns agentes
de mercado desconfiaram que alguns armazenadores tenham entrado
no leilão dando lances para aumentar o ágio e não
vender o arroz, pois parte dos estoques já teria sido vendido
de forma irregular. De posse da notícia, no entanto, a Conab
deverá proceder mais uma verificação nos estoques.
O Sindarroz-MT e o Siamt, realizarão um
encontro da cadeia produtiva com a Embrapa, para difundir tecnologias,
a falta de produto e indicativos de safra nas mesmas proporções
em 2008, os preços subiram bastante esta semana, chegando
a R$ 27,00 em Sorriso e Sinop, segundo os dados da Famato. O produto
chega a Cuiabá entre R$ 31,00 e R$ 32,00. A Conab está
fazendo leilões no estado para regularizar a oferta e disponibilizar
produto à indústria. Nas zonas de produção,
no entanto, os produtores que têm primavera com mais de 50%,
estão pedindo até R$ 30,00.
Em Santa Catarina, a comercialização
é lenta. Segundo o Instituto Cepa, vinculado à Epagri,
a média de preços do arroz em casca no território
catarinense fica entre R$ 21,00 e R$ 22,00.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não
fará leilões do arroz gaúcho em setembro. Em
comunicado, a Conab anunciou a programação dos pregões
para o próximo mês que prevê operações
de milho e de arroz dos estados de Mato Grosso, Tocantins e Pará.
Conforme o presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga),
Maurício Fischer, a tendência do mercado, com esse
novo cenário, é seguir com a recuperação
gradual observada em agosto.
BENEFICIADO
As indústrias começam a repassar
parcialmente a alta dos preços para o produto industrializado
levado ao varejo. A média de preços no Rio Grande
do Sul manteve-se em R$ 33,50 para o fardo de 30 quilos, do tipo
1, de arroz gaúcho posto em São Paulo. Marcas de primeira
linha seguem cotadas acima de R$ 46,00 e produtos de menor expressão
no mercado, em busca de colocação, saem do Rio Grande
do Sul por até R$ 29,00. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado
é comercializada dentro do Rio Grande do Sul a R$ 44,00,
com estabilidade nos preços. Chega em São Paulo entre
R$ 57,00 e R$ 59,00. O setor foi agitado esta semana pelo anúncio
de compra da Saman, maior conglomerado uruguaio de beneficiamento
de arroz, pela Camil brasileira.
DERIVADOS
Entre os derivados, a Corretora Mercado indica
preços de R$ 26,00 para o canjicão (com aumento de
R$ 1,00 por saca) quirera a R$ 20,00, e a tonelada do farelo de
arroz por R$ 210,00.
Para a semana que vem, os analistas de mercado
seguem esperando alta nos preços do arroz gaúcho e
do Mato Grosso.
Fonte: Cleiton Santos/Planeta Arroz
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