Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
17/08/2007
Alta do arroz gaúcho passa 7% em agosto
Os preços do arroz já acumulam alta
superior a 7% no mês de agosto, com um salto de quase um real
por saca somente na última semana. O fim, mais próximo,
dos estoques das indústrias de pequeno porte e dos estados
de menor expressão naprodução brasileira de
arroz, começa a forçar uma demanda maior e o interesse
da indústria, principalmente, do centro do país. A
demanda por arroz das variedades nobres e com alto percentual de
inteiros (62% acima), aumentou nos últimos dias, ao compasso
que produtores e cooperativas tentam negociar em vantagens de condições.
No Litoral Norte gaúcho, negociações confirmadas
no patamar de R$ 27,00 para a saca deste tipo de produto.
Em média, a saca de arroz de 50 quilos,
com 58% de grãos inteiros, é comercializada no Rio
Grande do Sul entre R$ 23,00 e R$ 23,00, mas o setor aposta que
já na próxima terça-feira o mercado opere até
50 centavos acima deste patamar. Os produtores seguem ofertando
minimamente o produto, mas tendem a liberar aos poucos a oferta
buscando fazer uma média de preços e protelar a liberação
dos leilões de arroz da Conab, previstos para setembro. A
tese é de que se o mercado estiver abastecido, a Conab poderá
retardar a oferta.
Levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo
Cepea/Esalq/USP e BM&F, confirma preço de R$ 23,60 para
a saca de arroz de 50 quilos, padrão de 58% de grãos
inteiros, no Rio Grande do Sul, posto dentro da indústria
(frete incluso). Há uma semana, praticava-se R$ 23,03.
Na semana, a alta foi de 57 centavos, menor que
os 80 centavos da semana passada, mas ainda assim, significativa.
Já é o recorde de cotações este ano.
Em média, o preço ao produtor gaúcho ficou
entre R$ 22,75 e R$ 23,25 na maioria das praças, como Cachoeira
do Sul, Rosário do Sul, Alegrete, Tapes, Guaíba, Rio
Pardo, Restinga Seca, São Gabriel e Dom Pedrito. Itaqui e
São Borja operam com preços (FOB/produtor) de R$ 23,00
a R$ 23,75, com valorização diferenciada para variedades
nobres (Irga 417 e BR Irga 409), que em casos especiais podem chegar
até a R$ 24,00.
Os produtores seguem aguardando novidades em dois
campos: a liberação dos estoques da Conab em leilões
para a indústria (como já acontece no Mato Grosso),
que pode interferir no mercado, e também um acordo entre
Basf, Irga, cooperativas, indústrias e arrozeiros no Rio
Grande do Sul para acertar uma forma de pagamento de multa pelo
uso indevido da tecnologia Clearfield, bem como os “royalties”
para a próxima safra. A empresa suspendeu o uso do programa
e o contrato com o Irga, bem como as pesquisas em andamento, medida
que poderá afetar outros centros tecnológicos e lavouras
de outros estados.
Estados
No Mato Grosso, que vai realizar um encontro da
cadeia produtiva com a Embrapa, para difundir tecnologias, a falta
de produto e indicativos de safra nas mesmas proporções
em 2008, os preços subiram bastante esta semana, chegando
a R$ 27,00 em Sorriso e R$ 26,00 em Sinop, segundo os dados da Famato.
O produto chega a Cuiabá entre R$ 30,00 e R$ 31,00.A Conab
está fazendo leilões no estado para regularizar a
oferta e disponibilizar produto à indústria, que sofre
uma crise sem precedentes por falta de matéria prima, segundo
o presidente do Sindarroz-MT, Joel Gonçalves Filho.
Apesar de tudo, o industrial considera que há
grandes chances do produtor mato-grossense voltar a plantar mais
arroz e investir na qualidade, principalmente em áreas velhas,
no sistema de rotação de culturas. “Há
bastante área que pode ser plantada no Mato Grosso e, com
os preços atuais, uma expectativa de baixos estoques no Brasil
em 2008, grande demanda da indústria local, a tendência
é de aumento na produção”, revela.
Em Santa Catarina, a calmaria surpreende. Com estoques
e demanda mais ajustada, o Estado ainda não acompanha a alta
de preços do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso, com lenta
movimentação para recuperar preços iniciada
na venda do produto industrializado, principalmente parboilizado.
Segundo o Instituto Cepa, vinculado à Epagri, a média
de preços do arroz em casca no território catarinense
fica entre R$ 21,00 e R$ 22,00, com oferta muito restrita por parte
dos produtores.
BENEFICIADO
As indústrias estão conseguindo repassar
parcialmente a alta dos preços para o produto industrializado
levado ao varejo. A média de preços no Rio Grande
do Sul manteve-se em R$ 33,50 para o fardo de arroz gaúcho,
30 quilos, posto em São Paulo, a vista, com variações
de acordo com o tipo e a marca. Marcas de primeira linha seguem
cotadas acima de R$ 45,00 e produtos de menor expressão no
mercado, em busca de colocação, saem do Rio Grande
do Sul por até R$ 28,50. A saca de 60 quilos de arroz beneficiado
é comercializada dentro do Rio Grande do Sul a R$ 44,00,
com estabilidade nos preços. Chega em São Paulo entre
R$ 56,00 e R$ 58,00.
Entre os derivados, a Corretora Mercado confirma
preços de R$ 25,00 para o canjicão, quirera a R$ 20,00,
e a tonelada do farelo de arroz por R$ 210,00.
Para a semana que vem, os analistas de mercado
seguem esperando alta nos preços do arroz gaúcho e
um reflexo mais efetivo no mercado catarinense.
Fonte: Cleiton Santos/Planeta Arroz
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