Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
02/04/2007
Volume de safra freou a alta do arroz
A recuperação de preços do
arroz em casca no Rio Grande do Sul perdeu impulso desde a última
semana, apesar dos bons resultados do mais recente leilão
de contratos de opção realizado pela Conab, que indicaria
média de preços acima de R$ 21,50 para o início
de abril. Em algumas regiões gaúchas, as cotações
que chegaram próximas dos R$ 21,00, recuaram até 50
centavos. Em outras, foi mantida uma estabilidade cautelosa.
A causa deste “esfriamento” nos preços
é a entrada de maior volume de grãos nos silos, secadores
e nas indústrias, com a aceleração do processo
de colheita. Muitos produtores, sem silos próprios ou cooperativas,
estão ofertando produto no mercado, o que fez a indústria
“sentar para trás” na hora da compra. Muitas
empresas mantêm a estratégia de não aceitar
arroz a depósito, só compra, o que força a
venda do produtor menos capitalizado e sem uma infra-estrutura de
estocagem.
A notícia de um novo leilão de contratos
de opção para o dia 10 de abril, aliada à liberação
de mais R$ 200 milhões do governo federal para EGFs, pode
funcionar como fator de neutralização desta nova tendência,
obrigando o mercado a, se não reagir, manter-se estável
nos patamares atuais. Esta estabilidade, no entanto, não
seria uma boa notícia para o setor, que ainda confia que
o mercado alcance patamares próximos dos R$ 22,00 de preços
mínimos até o final de abril.
Ainda assim, a maioria dos analistas de mercado
arrisca indicar uma “leve alta” nos preços médios
até o final deste primeiro semestre do ano e uma recuperação
mais acentuada a partir de agosto. A preocupação entre
os produtores é o limite de 20 contratos de opção
por CPF, ou seja, quem já alcançou este patamar não
terá mais direito ao uso do mecanismo.
Enquanto espera o anúncio de novos leilões
a partir da segunda quinzena de abril, o mercado voltou a apresentar
um volume mais significativo de ofertas, principalmente na Fronteira-Oeste,
Litoral Norte e Depressão Central gaúcha, onde um
temporal, seguido de granizo afetou gravemente as lavouras dos municípios
de Novo Cabrais, Vale do Sol e Vera Cruz.
Em Cachoeira do Sul, Dom Pedrito e Alegrete, os
preços da saca de 50 quilos do arroz com 58% de grãos
inteiros, que já indicavam patamares entre R$ 20,50 a R$
21,00 há 10 dias, agora apresentam-se entre R$ 20,00 a R$
20,50. Pelotas, Camaquã, Uruguaiana e Itaqui também
é menor o preço médio ofertado para o arroz
colocado na indústria, R$ 21,00, ante os R$ 21,50 da semana
passada. Itaqui e São Borja mantêm entre R$ 21,75 e
R$ 22,00 as variedades nobres, dependendo do percentual de inteiros.
No Litoral Norte, as variedades nobres alcançam cotação
de R$ 24,00 a R$ 25,00 em sacos de 50 quilos do produto com até
63% de inteiros.
INDICADORES
O indicador do arroz Cepea/Esalq/BM&F, indica
preço médio de R$ 21,04 para esta quinta-feira, quando
chegou a R$ 21,16 na sexta-feira passada, uma queda de 12 centavos
por saca para o produto dentro da indústria gaúcha.
A Emater-RS, em seu levantamento semanal, indica preços médios
de R$ 20,61 pagos ao produtor gaúcho pela saca de 50 quilos
do arroz com 58% de grãos inteiros.
MATO GROSSO
No Mato Grosso os preços da saca de 60 quilos
do arroz Primavera, com mais de 50% de inteiros, manteve-se por
mais uma semana com preços firmes entre R$ 22,50 e R$ 23,00
nos municípios de Sinop e Sorriso, com significativa demanda
e pouca oferta. O produto chega a Cuiabá entre R$ 25,00 e
R$ 26,00. A maior parte da oferta é de produto de baixa qualidade,
o que valoriza o arroz superior, com mais de 55% de inteiros na
região.
SANTA CATARINA
Em Santa Catarina, o mercado é comprador
e os preços firmes. O valor médio pago ao produtor
de arroz está em R$ 21,00 a saca, nas três principais
regiões produtoras do estado: Alto Vale do Itajaí,
Médio Vale e Litoral Norte, e no Sul catarinense. A colheita
está em adiantado estágio, mas com significativo atraso
na região Sul, onde apenas 30% da área foi colhida.
As intensas chuvas estão atrapalhando o processo, bem como
provocando perdas.
Nas regiões mais ao norte, já está
em desenvolvimento o cultivo da “soca”, que permitirá
nova colheita até o final de maio. Os produtores do estado
esperam estar incluídos nas novas medidas anunciadas pela
Conab e o MAPA para o Rio Grande do Sul (leilões e ampliação
de recursos para EGF).
INDÚSTRIA
A indústria gaúcha e as indústrias
de Santa Catarina e Mato Grosso vivem momentos opostos. Enquanto
as empresas gaúchas aproveitam a safra para restabelecer
seus estoques no pico de colheita, com o aumento da oferta por parte
dos produtores, as beneficiadoras catarinenses e mato-grossenses
estão demandando mais fortemente o produto, com resistência
dos produtores. No Mato Grosso, a oferta mais significativa é
de arroz de baixa qualidade. Em Santa Catarina, os produtores estão
segurando bem o arroz e a oferta é baixa, principalmente
no Sul do estado onde a colheita está atrasada pelas chuvas.
Em comum, estas empresas têm apenas a resistência
do varejo em remunerar melhor o produto beneficiado. O fardo de
30 quilos do arroz tipo 1, gaúcho, é negociado entre
R$ 28,50 e R$ 39,00 (final São Paulo), dependendo da marca.
O preço mais usual é R$ 32,50. O fardo do arroz beneficiado
(branco) catarinense fica entre R$ 32,00 e R$ 38,00 (final São
Paulo) e o parboilizado entre R$ 31,00 e R$ 34,00.
A saca de 60 quilos do produto beneficiado gaúcho
é negociada entre R$ 42,00 e R$ 43,00 no mercado gaúcho.
Chega a São Paulo entre R$ 56,00 e R$ 60,00.
DERIVADOS
O mercado de derivados também perdeu um
pouco de força esta semana, com o canjicão perdendo
R$ 2,00 por saca no preço médio. Caiu de R$ 30,00
para R$ 28,00, com uma redução na demanda por parte
das indústrias e, também, dos exportadores. A quirera,
em compensação, subiu para R$ 21,00, valorização
de R$ 1,00 por saca.
TENDÊNCIAS
O mercado deverá entrar em compasso de espera
até o leilão do dia 10. Até lá, o que
vai ditar preços é a relação oferta
x demanda. Como o volume de safra deve se acentuar nestes próximos
10 dias, há uma leve tendência de queda à estabilidade,
com os preços se mantendo mais próximos dos R$ 19,50
do que dos R$ 20,50 na maioria das regiões. A demanda seguirá
forte por arroz das variedades nobres e produto para parboilização.
O clima, mais uma vez, também será
fator importante na formação de preços. A volta
de chuvas mais intensas no Rio Grande do Sul poderá afetar
a colheita mais uma vez e, com isso, reduzir a oferta e aumentar
as perdas. O varejo deve seguir sua política de comprar apenas
o essencial para reposição nas gôndolas e forçando
redução de preços em função das
ofertas de marcas médias ou pouco conhecidas a preços
baixos.
Fonte: Cleiton Santos/Planeta Arroz
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