Análise de Mercado
Elaborada semanalmente por Cleiton
Santos - Planeta
Arroz
05/01/2007
Poucos negócios e preços frios no mercado do arroz
O mercado brasileiro de arroz ainda vive a ressaca
das festas de fim de ano e a expectativa de uma nova safra. Os preços
nominais sofreram mais uma pequena queda nesta semana, mas poucos
negócios são confirmados entre produtor e indústria.
O setor industrial está praticamente todo fora de mercado,
aguardando aquecimento da demanda do varejo. Esta semana, algum
movimento já foi registrado neste sentido, mas ainda é
mínimo. Na verdade, varejo e indústria seguem abastecidos
em condições de atender suas demandas por produto
até o final de janeiro, pelo menos.
O mercado nominal do arroz em casca segue em baixa
no Rio Grande do Sul, com preços variando entre R$ 21,00
e R$ 21,50 na maioria das regiões. Preços acima destes
patamares apenas para o produto dentro da empresa (frete incluso)
e as variedades nobres (Irga 417 e BR irga 409). No Litoral Norte,
estas variedades são valorizadas entre R$ 25,00 e R$ 26,50,
dependendo do percentual de inteiros.
Os raros produtores que estão ofertando,
não encontram receptividade das indústrias, a menos
que opere com preços abaixo dos patamares já citados.
Uma empresa gaúcha estaria oferecendo até R$ 23,00
a R$ 24,00 pelo produto dentro do parque fabril, mas segundo agentes
de mercado, o histórico de dificuldades na hora de quitar
o pagamento pelo produto não está ajudando a convencer
os arrozeiros. O agricultor segue mais preocupado em garantir a
próxima safra do que em vender o que sobrou de 2006. Alguns,
estrategicamente, ainda seguram o produto esperando alta em fevereiro,
no pico da entressafra. A semana foi de muitas informações,
não confirmadas, de aumento no volume de importação.
Principalmente de produto argentino.
Com o mercado estagnado, os preços dos derivados
também deram uma esfriada: a quirera manteve-se entre R$
19,00 e R$ 19,50. O canjicão de arroz a R$ 26,00 (saco de
60 quilos) no Rio Grande do Sul, mas com notícias de negócios
por até R$ 25,00, apesar da demanda do produto para exportação.
Arroz para parboilização está encontrando um
bom mercado na Zona Sul, com preços muito próximos
do branco.
A Conab realizará no próximo dia
10 um leilão de arroz gaúcho. Serão colocadas
à venda, por meio de VEP, 7,5 mil/t do produto, que deverão
ser escoadas para qualquer destino que não seja localizado
no próprio estado, em Santa Catarina ou nos estados do Nordeste,
do Centro-Oeste e do Norte. Um comunicado emitido pela Conab no
final da tarde desta sexta-feira, informou que a indústria
poderá comprovar a operação com arroz esbramado
ou beneficiado, atendendo a uma demanda do setor. Agentes de mercado
ligados aos Estados Unidos entraram em contato com alguns agentes
de mercado brasileiro e analistas para buscar informações
deste mecanismo, levando em conta notícias que teriam indicado
a operação para escoamento do arroz gaúcho
para o exterior.
O Irga divulgou nesta sexta-feira, a confirmação
de redução de 10% da área plantada no Rio Grande
do Sul, em decorrência do baixo armazenamento de água
dos mananciais na fase de plantio.
SANTA CATARINA
Em Santa Catarina os preços esfriaram um
pouco, refletindo a queda do Rio Grande do Sul. Média de
R$ 22,50 para o saco de 50 quilos do arroz de 58% de inteiros nos
raros negócios fechados nesta semana no Sul catarinense.
A expectativa fica por conta do leilão de 5 mil toneladas
de arroz catarinense na próxima semana.
MATO GROSSO
No Mato Grosso estão confirmados os leilões
de arroz da Conab. Serão 30 mil toneladas. Haverá
leilões também no Pará e Rondônia. Os
preços continuam estabilizados por falta de oferta dos produtores,
que estão com os estoques praticamente zerados. O sindicato
da indústria de arroz do Mato Grosso conseguiu retirar a
região Centro-Oeste do rol de destinos do leilão de
arroz com VEP, que será realizado dia 10 no Rio Grande do
Sul. Segundo o presidente Marco Lorga, uma ação deste
tipo desestimularia a cadeia produtiva regional, justamente no momento
em que há estabilidade dos preços, entre R$ 26,00
e R$ 30,00, dependendo da região e da qualidade do produto.
INDICADORES
O indicador de preços do arroz do Cepea/Esalq
e BM&F, apontou em dezembro uma retração de 6%
nos preços do cereal em sacos de 50 quilos, com 58% de grãos
inteiros, colocados na indústria gaúcha (preço
final). Nesta quinta-feira o indicador era de R$ 22,44. São
27 centavos a menos do que na semana passada e R$ 0,47 a menos que
o preço registrado no último dia 20/12.
VAREJO
Passados os festejos de Natal e Ano Novo, os consumidores
estão conseguindo encontrar nas gôndolas dos supermercados
o arroz a preços ainda menores do que em dezembro. Em São
Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre o saco de cinco quilos de arroz
do tipo 1, de algumas marcas, chega a ser encontrado por até
R$ 5,85, segundo fontes do mercado. As vendas da indústria,
com ligeira melhora esta semana em relação aos últimos
15 dias, já começa a fazer média abaixo dos
R$ 34,00 (final em São Paulo, preço à vista)
para o fardo de 30 quilos (tipo 1). Marcas intermediárias
e algumas velhas conhecidas por operar muito abaixo do patamar médio,
estão pressionando os preços para baixo, talvez por
necessidade das empresas fazerem caixa, com negócios confirmados
por até R$ 30,00 (fardo de 30 quilos/tipo 1/final São
Paulo).
TENDÊNCIA
O mercado brasileiro de arroz deve entrar a próxima
semana sem muitas novidades. Algumas indústrias prevêm
reduzir os preços referenciais para compra de produto beneficiado
na próxima terça-feira entre R$ 0,20 e R$ 0,30. Ainda
assim, com o mercado bastante frio, os valores são apenas
nominais. Espera-se um ligeiro aquecimento na demanda dos varejistas,
o que poderá refletir numa estabilização dos
preços a partir da segunda quinzena de janeiro. No entanto,
a expectativa para o próximo ano é de preços
mais adequados e alguma rentabilidade para a lavoura nacional.
Fonte: Cleiton Santos/Planeta Arroz
Leia mais...
|